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adoro linhas direitas,  alinhadas e organizadas 
o nome é knolling e o conceito explicado aqui 

| bom dia |

 


queridas pessoas todas, o recado é este

já não tenho paciência para algumas coisas
não porque me tenha tornado arrogante mas simplesmente porque cheguei a um ponto da minha vida em que não me apetece perder mais tempo com aquilo que me desagrada ou fere, não tenho pachorra para cinismo, criticas em excesso e exigências de qualquer natureza, perdi a vontade de agradar a quem não agrado, de amar a quem não me ama, de sorrir para quem quer retirar-me o sorriso, já não dedico um minuto que seja a quem me mente ou quer manipular, decidi não conviver mais com preciosismo, hipocrisia, desonestidade e elogios baratos, já não consigo tolerar eruditismo selectivo e altivez académica, não compactuo mais com bairrismos ou coscuvilhice, não suporto conflitos e comparações, acredito num mundo de opostos e por isso evito pessoas de carácter rígido e inflexível, na amizade desagrada-me a falta de lealdade e a traição e não lido nada bem com quem não sabe elogiar ou incentivar

Meryl Streep

| via |

provas de esforço


o miúdo desafiou-me para uma aula livre de natação, primeiro neguei, depois pensei melhor, minutos mais tarde aceitei
saí de casa sem comer, sem depilação e com a certeza de que me esquecia de qualquer coisa, atirei-me de cabeça à agua depois de deitar para trás das costas o resmunganço interno que levava, uma hora chegou para várias conclusões: 

➷ as articulações estão ferrugentas

➷ por pouco não me saíram pela boca as tripas e restante aparelho digestivo 

➷ tenho certeza quase absoluta que me passou por cima um camião e respectivo reboque 




à noite, no período entre o deitar e o adormecer pensei no miúdo, na adolescência e no que ela está a fazer dele, de mim e de nós, por mais que lhe segure o pulso, os braços crescem e o corpo afasta-se e não há sensores que nos avisem, mas ontem não, ontem na natação eu e ele fomos a perfeição em modo mãe e filho, tão próximos, tão cúmplices, tão felizes [e tão cansados]

amores perfeitos plantados na terra, outros dois plantados no sofá

dois amores perfeitos em flor depois e era eu uma jardineira/decoradora de renome e capaz de desafiar um querido mudei a casa, lá dentro faziam-se planos para o jantar de domingo o meu preferido e a respectiva divisão de tarefas, desta vez calharam-me as bebidas
| águas com hortelã | * | águas com rodelas limão | * | águas com rodelas de laranja |










o jantar de domingo foi eleito refeição-de-família, é o único dia da semana em que o tempo nos deixa reunir sem pressas, sem horários, sem corridas, a comida sabe melhor com três à mesa e a cereja estaria no topo do bolo se estes dois me dedicassem uma sobremesa mas não, nessa parte ainda não consegui ser suficientemente convincente, mas sou mais feliz desde que sou eu-mais-dois

| outra boa parte dos jantares de domingo é o que sobra para o jantar de segunda |
| hoje, a par com o tempo de verão que felizmente permanece, sai uma saladinha fria de salmão |

vendem-se amores perfeitos


 estava escrito na caixa das flores que os escuteiros vendiam à porta da igreja
o miúdo anda empenhadissímo na angariação de fundos para aquela que será outra grande aventura escutista, desta vez aumentaram a fasquia e o destino é Londres, vendem bolos, compotas, chouriços e rifas, juntam ferro velho e fazem recados e tudo o que seja transformável em dinheiro, acho que nem eu me sinto muito segura em casa, vendem à saída da missa, de porta em porta ou na feira de domingo

- mãe, compra dois amores perfeitos para a nossa casa
- mas filho, eu tenho dois amores perfeitos em casa, verdadeiros e de carne e osso
- mas mãe, leva estes e planta-os à porta para que toda a gente veja e eu faça mais algum dinheiro

com filhos criados há trabalhos dobrados



quando o olhava, pequenino, todos os meus medos de não conseguir alimentá-lo e não ser capaz de o educar eram absorvidos pelas minhas certezas sabia-me amparada qual ilha rodeada de agua por todos os lados e vivia na ânsia que largasse fraldas e biberons, que crescesse e falasse, tinha planos, para jogar à bola, ir ao parque, passear de bicicleta 
quando cresceu um bocadinho e começou a falar, cresceram-me também alguns receios que caísse, que se afogasse, que me mentisse, que não fosse feliz mas queria muito vê-lo crescer, queria tê-lo como companhia num livro numa esplanada ou nos serões no sofá e que me ajudasse em casa
quando cresceu ainda mais e me fez companhia na esplanada e nos serões do sofá, os meus medos ultrapassaram as minhas certezas das companhias e das noitadas, do álcool, da droga e das boleias, dos desgostos, que te esqueças de sorrir ou dos valores que te incuti, que não consigas nunca ter um amigo sincero e leal e que toda a tua vida seja baseada nos interesses e aparências que vejo por todo o lado, que não agarres as oportunidades, que andes por ver andar os outros, que percas a fé, que não te esforces, que te esqueças da solidariedade, que te esqueças de mim e das nossas conversas à noite na tua cama ou de manhã na minha, que te fartes das tuas vocações, tão cedo descobertas e aprofundadas, que tenhas um acidente e a vida te prenda a uma cama, que tomes como exemplo os exemplos que hoje sabes que não queres seguir, tenho medo de perder esta cumplicidade que nos une, o jeito de te falar, medo de ser incompreendida ou de deixar de te compreender
ele vai continuar a crescer e os meus medos também, não é proporcional mas é controlável espero! 


aos teus treze anos, os meus medos

filho e os braços de polvo

 mochila 

 saco para educação física 

 canudo com trabalho de cartolina 

 skate 

 casaco 

 boné 

 saco com folhas secas 

 pasta com trabalho de educação visual 

tudo isto em dois braços

da greve: para mim pode ser uma dose, sff










eu também queria sair à rua e lutar pelos meus direitos
direito por exemplo ao sol sem uma janela entre nós, direito a fazer hoje um passeio igual ao de domingo, direito a dormir a manhã na cama, direito a não ter de estudar ciências mais logo, direito a não ter de mandar cinquenta e três vezes o filho para a cama... 
e depois há os direitos mesmo a sério e desses não se pode falar em dias de sol, correndo o risco de o tempo virar e em vez desta estação que eu não sei o nome, aparecer o outono a sério sem as castanhas ou o verão de São Martinho

o direito, a greve e o direito à greve

a escola do meu filho está fechada para greve, não é greve de professores ou funcionários, é greve de alunos que fecharam e encheram os portões com cartazes que referem direitos que dizem ter outros nem sabem bem o que reivindicam exigem professores competentes, comida suficiente e em condições, uma escola digna e com espaços de lazer, eu acho bem que exijam mas acho principalmente que devem primeiro cumprir deveres como respeito e educação e só depois se fazer ouvir em consciência, peçam tudo isto, direitos pelos quais se devem juntar e lutar e não fazer da 'greve' o dia sem aulas, o passeio ao centro da cidade ou um motivo para adiar o teste

nada disto faz sentido e eu deixei o filho junto à escola, o mais perto possível da berma e segui, não sei o que se passa nem se o telemóvel desligado está de alguma forma relacionado com a opinião que sabe que tenho em relação a estas greves

enquanto (me) lia, pensava:

sobre isto

olha que para quem desacreditou, desistiu e ensurdeceu do assunto há tempos atrás, até que nem escreveste nada mal, não senhora, e se este meu testemunho vale zero, talvez este convença quem deixou de acreditar


dá Deus as nozes (descascadas) e eu tenho os dentes (sãos)

a vida dá voltas, muda, sem segredos, imposições ou ansiedades, a vida muda e os sapos com quem me cruzei passaram para abrir caminho ao príncipe que tenho hoje

tudo isto [só] é possível porque há uma pessoa especial ao meu lado, em casa, na cabeça e no coração, um braço direito, porto de abrigo e bóia de salvação, há alguém que está na minha vida para eu ser feliz, há alguém que não sendo pai lhe vestiu a camisola e há alguém que consegue cativar um filho que não é seu e ocupar-lhe todos os espaços em branco no coração, há alguém que faz dos meus gostos os seus gostos e dos meus objectivos os seus objectivos, que comemora as minhas vitórias como suas e que me dá a mão quando o passo é maior que as pernas, há alguém na minha vida que permite conciliar um filho feliz com uma mãe que se ausenta com o único objectivo de o fazer mais feliz


| intervalo |















| o mar no meu coração |

aperfeiçoar a vida



















sábado: acordar tarde e dividir tarefas com o filho, ensiná-lo a passar a camisa que lhe serviu de banco, a que deixei engomada em cima da cadeira onde se sentou, t-shirt a meio de outono, discursar para o meu publico do lenço, ser bem recebida e bem encorajada, conhecer os que chegam, abraçar os que partem, jantar com a equipa de animação e absorver conhecimentos, delinear planos e estabelecer metas, receber mensagens dos dois homens da casa em plena diversão e cumplicidade, regressar às duas da manhã e ser recebida com o mesmo sorriso que teria se não tivesse saído
domingo: acordada pelo sol que entrou janela dentro, preparar almoço especial, agarrar nos dois homens mais afilhado e sair para aproveitar o sol, molhar os pés directamente no terreno Mc Namara procurei-te por toda a praia! ser surpreendida por uma onda mais atrevida, passar no sobrinho-emprestado, de partida para a capital, para dar beijinho de despedida já que o rapaz é metade cidade, metade aldeia, regressar a casa com flores do campo e areia em tudo o que é buraco, ter uma taça de dióspiros à porta e aumentar o nível de egoísmo ao descobrir que mais ninguém gosta cá em casa, esperar no sofá pelo jantar especial preparado pela equipa masculina está a tornar-se hábito fazer serão na rua numa noite de verão, em outubro, no outono

 estão recuperadas as forças e carregadas as baterias

gestão de tempo: parti os sábados em três [ noite ]


e depois cai a noite e fazemos-nos àquilo que combinámos durante a semana, ou visitamos os bebés novos ou damos uso ao novo skate que brilha no escuro, ideal para passear quando o sol se esconde