o bloga mãeo filhoo skate

com um bocadinho de lamechice

obrigada Rosa que enviou este mail 


estou de namoro com a vida e noiva da felicidade
sou amante da alegria e de vez em quando dou uma escapadinha com a loucura




(de hoje em diante) nós os dois somos três

























Criei este blog para lavar a roupa suja que carregava numa trouxa às costas. Não era feliz nem fazia questão de ser vivia uma espécie de escravidão mental na condição de mãe solteira e abandonada Na verdade o universo tinha fechado várias portas e eu, tão concentrada nelas, não via as janelas abertas à minha volta, lambi as minhas próprias feridas tentando lidar com uma culpa que me foi servindo de desculpa, que não era minha mas aceitei como se fosse. A vida foi andando e eu, que já tinha lavado e estendido tudo, fui ajustando contas comigo mesma, deitando fora o que não servia ou estava demasiado desgastado e arrumando o que devia estar arrumado. O miúdo cresceu, eu cresci, aprendemos a caminhar, viver, conversar, a trocar olhares e sorrisos, aprendemos a gerir o espaço, o tempo e os gostos, aprendemos a cumplicidade e treinámos a felicidade, fomos fechando algumas janelas, outras mantivemos abertas, a maioria das feridas sarou. Percebemos que a vida é uma avalanche de emoções que aparece sem avisar e em qualquer altura o alvo somos nós e aí o nosso copo não fica meio cheio nem meio vazio, o nosso copo transborda de felicidade.
A vida ensinou-nos que mesmo completos há sempre lugar para mais alguém, abrimos as portas que um dia nos fecharam e os braços que cresceram à medida dos nossos corpos apenas ultrapassámos os medos de receber e arriscámos eu mais que ele passou algum tempo e fazem-se contas, balanços, já há até recordações e histórias para contar. O filho ganhou um inquilino no coração que não lhe ocupa o lugar vazio que negligentemente lá tem mas preencheu todo o espaço em volta muito mais que um amigo, o filho ganhou um companheiro. E eu, ainda com todos os medos, todas as feridas e todos os 'mas' engoli um jardim em plena primavera a julgar pelas borboletas que sinto no estômago e sinto o coração aconchegado, quentinho e confortável

Toda a gente já esteve apaixonada / Toda a gente sabe do que falo

meu (lindo) oeste




Com o filho de férias na companhia da sua tia e prima preferidas e únicas
Eu cá anda a aproveitar o que de tão precioso quanto escasso existe: o tempo e o meu querido oeste

um dia destes, na praia


filho -vamos ao cais mandar um mergulho 
eu -vamos? 
amigo do filho -Eu e ele!
eu -não, não vão!
filho -então?
eu -não vos quero a saltar do cais
amigo do filho -mas não está a ver os outros miúdos a saltar?
eu -estou, estou a ver os miúdos a saltar e a placa a avisar que é proibido
amigo do filho -mas não está ali o nadador nem a policia por isso podemos, vá lá
eu -não, é perigoso e proibido
amigo do filho -e só é perigoso e proibido para nós?
eu -não, é perigoso para todos mas as mães dos outros meninos são negligentes e eu estou a tomar conta de vocês para sair daqui para casa e não para o hospital, para voltar amanhã e aproveitar o dia como hoje
amigo do filho -mas quando viemos com a minha mãe ela deixou
eu -a tua mãe não viu a placa?
amigo do filho -viu mas deixou na mesma, não estava lá ninguém a proibir
eu -ok, mas eu não deixo, há um mar inteiro à vossa frente para se divertirem
amigo do filho -fogo puto, a tua mãe está a ser uma cortes
filho -ya, mas ela é sempre assim nestas cenas, eu já sabia que ela não deixava


Há um aviso na praia que proíbe os saltos para a agua a partir do cais dos barcos. Na ausência do nadador salvador ou policia, em alturas de maré cheia, há sempre miúdos a saltar, de pés, de chapa, de cabeça. 
Está maré cheia, o filho e o amigo querem saltar como os outros - morro de medo de mergulhos dados por quem pensa que se resume a ganhar balanço, atirar-se à agua conseguindo acrobacias pelo meio, melhor Aqui é proibido, a placa é visível e traduzida em várias línguas mas os avisos nunca são suficientes. 
A mãe do outro miúdo é a minha amiga que defende a honestidade dos suecos que compram o jornal deixando o dinheiro numa caixa aberta onde ninguém mexe ou confere, os mesmos suecos que não desobedeceriam a esta placa.

É-se honesto, obediente e educado ou não se é, não aos bocadinhos, nem mais ou menos, nem às vezes. Não se deixa contado o dinheiro do pão e depois se infringe a lei nas costas do policia, fez-me lembrar o lugar de estacionamento sinalizado para deficientes à porta do meu emprego, está sempre ocupado por 'deficientes mentais' excepto quando a policia está por perto. A estas pequenas coisas chama-se desobediência que acarreta infracção e no fim é tudo desonesto e mal educado porque o que se infringe hoje na praia infringiu-se ontem em casa e amanhã na escola

surpresas


Eu já sabia que os amores perfeitos existem passo por eles todos os dias no jardim da minha vizinha que não só os planta como também os vive para quem vive com a convicção de que não passam de mitos - desengane-se! - está aqui a prova, fui assim recebida pelo meu filho, ontem ao chegar a casa. 

O meu filho, o menino que mandei criança para um acampamento e de lá veio mais crescido, mais saídinho da casca falo de miúdas e cheio de saudades, meu menina da mamã


(intervalo)


Interrompemos as férias para render quem trabalha boas acções Somos uma bomba de oxigénio por dois dias, depois voltamos com a mesma vontade, carregar energias, gastá-as, voltar à carga. Não dá para ir para longe mas a felicidade está onde estamos. Estou feliz e às vezes esqueço-me. Sou  feliz. Com o meu filho, os meus amores, a família e os amigos, tudo certo, tudo no lugar certo (finalmente) Sou mais feliz com o sol e a praia por perto e sou feliz quando embarco nas aventuras do meu filho mesmo não tendo a certeza do nível de juízo necessário para se ser mãe. 

(continuando) em maré de promessas

sexta-feira antes do acampamento, o melhor dia de praia de todo o verão, sentados na areia tento meter a cunha ao afilhado, mais velho, mais responsável e mais maduro para deitar o olho ao filho, dar-lhe uma mãozinha eu e o afilhado conversamos sobre a próxima semana. 
- Aposto que, o mais tardar quarta-feira estás a ligar para saber do teu filho -diz-me ele
- Apostas mesmo? 
- Aposto madrinha, aposto um jantar

[Querido Joãozinho lindo da madrinha, vais comer e pagar! sushi pela primeira vez, espero que quando eu for velhinha e tu um médico famoso ou o Mourinho do rugby me leves também a passear, descobrir sítios novos e comidas fantásticas em jeito de retribuição, sim?]

é (tão) bom ver cumprido o prometido







[organizar, ordenar, encaixar]
parte do meu puzzle * o numero de peças é infinito *  o resultado final é felicidade 

hoje chega a minha fortuna (e não falo de dinheiro)


não sei se não será cedo demais para começar a sorrir de nervoso, 
talvez devesse guardar para mais tarde

hoje é amanhã





Ontem ligou
Hoje apareceram fotos
Amanhã estão de regresso

Dar-lhe espaço e tempo tem sido tão difícil quanto compensador.  Parece que vivo estes dias como se fossem vésperas de natal. Cada dia recebo um presente novo embrulhado em felicidade. 

Carregou-me todas as baterias de todos os órgãos do meu corpo

O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou . O meu filho ligou


Há cinco dias acampado. Está rouco e feliz. Muito feliz. Senti-lhe cansaço na voz mas o atropelo de palavras do costume, o que usa para contar tudo ao mesmo tempo no red line da felicidade. Está feliz! E era tudo o que eu precisava de saber. 
Os seus primeiros voos

Pronto, desabafei.
Há sentimentos que transbordam

[ mudanças ]


[ três ]


Faltam três dias, tantos quantos os que já passaram e está do tamanho de uma ervilha, apertado como se o tivesse encurralado entre a parte de trás da porta que ficou aberta e a parede que a sustenta, falo do meu coração depois do adeus que lancei às duas centenas que seguiram com o meu filho. Passaram três dias e não tenho noticias que, embora estejam à distância de um telefonema que posso fazer, mas não faço quero mesmo praticar aquela cena do desapego
ter a certeza de que serei a primeira pessoa a saber se precisares de mim auxilia-me em cada tentação

 Agora vou ordenar-te que te recomponhas, há vida para além do filho e eu preciso tanto de uma vida dessas