| parece mentira |

para tudo existe um momento certo, até para desistir das coisas e uma das máximas da minha vida é não estar a mais, nem dar azo a situações em que isso aconteça. não troquei o blog por um bloco de notas, mas o que seria uma ausência de dias, passou a semanas e entretanto meses

descobri-me cinderela de um saudoso cavaleiro andante que há anos atrás me partiu o coração, perdida naquele vazio que só os corações partidos conhecem, senti necessidade de gritar bem alto tudo o que ia cá dentro, foi assim que nasceu o blog, o primeiro e muitos posts depois que me permitiram expressar medos e frustrações de quem ainda não tinha encontrado um lugar no mundo. o desabafo escondido entre vírgulas e palavras de muitos textos neste blog trouxeram a paz que há muito não sentia, suavizou-me a amargura dos primeiros tempos, mas mais do que o que escrevi, o que me trouxe de regresso ao mundo real foram as vozes que apareceram do outro lado, os mails e comentários, nem todos compassivos ou cordiais, mas mesmo os críticos e mordazes trouxeram serenidade e fizeram-me sentir ouvida afinal, não é necessário activar uma bomba nem matar gente para que o mundo nos ouça bastou escrever umas palavras e enfiar a mensagem numa garrafa por este mar da internet -porque há sempre quem oiça os nossos gritos e com toda a certeza não estamos sozinhos no mundo, as minhas alegrias, tristezas, inseguranças, são afinal as mesmas de todos e um ou outro não é especial, somos todos, à maneira e feitio de cada um

estou grata pelo que partilhei, por ser ouvida, aceite, respeitada e compreendida, por não ter sido esquecida, no fundo todos queremos ser imortais, ainda que seja num pequeno e desconhecido blog da internet


* FIM *




| balanços |


a vida não é uma recta, nem sei se será uma linha
olhar a vida com olhos de ver não é agarrar um punhado de lápis de cor e desenhar o arco-íris, também não é pegar na borracha e apagar o que já se viveu
viver a vida, é recomeçar, e saber fazê-lo, recomeçar não é bom nem mau, simplesmente, às vezes, é preciso não esquecer o que se viveu, não é estalar os dedos e começar do princípio, recomeçar não tem a ver com o princípio, mas com o caminho, recomeçar é melhorar, parar para analisar, e renovar a vontade de fazer melhor, porque entre uma curva e outra da vida, há sonhos que ficam perdidos, projectos que se vão diminuindo, vontades que se vão perdendo

e esta vida que no princípio era a nossa, às tantas já é "qualquer coisa"

Teresa Vilela

| estamos em mudanças |

não há novidades, para já
estou em obras, em mudanças, em remodelações
terapia decorativa, extreme make-over e isso

[volto já]

| eu e o amor |

a soma da nossa idade são setenta anos, partidos em duas partes iguais somos quase adolescentes e todos os dias nos somamos para repartir o que temos para nos dar