o bloga mãeo filhoo skate

Bom dia (espera-se)


a semana não começou mal sendo hoje o seu primeiro dia, a única coisa menos boa para além de não ter nada(?) para vestir, foi perder a chave do carro, que só por acaso é o único meio de transporte que tenho para o trabalho e só por acaso também quando comecei a procura-la devia estar já a meio caminho
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esta semana há muito trabalho para despachar, há demasiado trabalho para despachar e esta tarefa terá de ser começada e terminada em três dias, sendo que metade de um desses dias já passou 

☆ não paro de pensar onde raio se enfiaram as chaves do carro (duas) e de como agradecer a quem está sempre. SEMPRE. onde é preciso para diminuir a ansiedade, resolver o problema e trazer a solução


toda a gente tem o seu lado pimba


O filho também, este pré-adolescente dos skates, bmx e cabelo xpto vai amanhã ao passeio anual de bicicletas antigas com o meu pai e uns amigos, vestidos a rigor, ou seja, à moda dos antigamentes com boina na cabeça pi-ro-si-ce
Fui agora deixá-lo porque a alvorada é bem cedo e dá-me um jeito enorme recuperar umas horas que tenho em atraso de sono
Ele gosta destas coisas, é o seu outro lado, o espírito bairrista folião-pimba que mesmo na adolescência continua a ter lugar queira a vida que nunca o perca e para o meu pai, ter o neto a acompanha-lo é um orgulho enorme, note-se que até o disse em palavras, o meu pai

terapia decorativa


Acordei com uma cesta de flores à porta obrigada mãe
A terapia decorativa ou part-time de Gata Borralheira de hoje é descargo de consciência. Meio dia de férias a meio da semana sem sol serviu para adiantar trabalho de sábado -vidros! O filho entretém-se com o carro, tapetes e o aspirador em troca de manobrar o volante do carro para entrar na garagem e sugeriu-me esta musica que, diz, agrada a toda a gente, mesmo aos esquisitos por ser cantada em vinte estilos diferentes. Voltando à gata borralheira que há em mim, aproveito para partilhar esta página cheia de ideias práticas home made

terapia decorativa



Saí do trabalho para tomar café estava prestes a bater com a cabeça na secretária Passei pela florista passo todos os dias Entrei pela primeira vez Comprei flores pela primeira vez Estou feliz. A minha casa tem sempre flores apanho-as do jardim As hortenses cheiram maravilhosamente bem mas acabaram Comprei em rosa. Duram uma vida e não precisam de agua. Só havia esta cor, queria branco. Chegam amanhã. Amanhã compro flores. Brancas. O filho carregou pela rua as flores numa mão e o skate na outra. Estou feliz


para lontras e preguiças


repetindo-me: Gosto de ler not so fast, às raras vezes acompanho-o também no facebook e ontem no sofá em modo preguiça levei a leitura a peito e em tom de raspanete que me assentou que nem uma luva e lá fui , arrastando-me ao fim do dia. Saltei à corda, fiz pesos, abdominais, extensões e alongamentos durante uma hora. Cansada, voltei ao sofá, imediatamente a seguir levantei-me e fui limpar a casa de banho, a loiça que escorria e arrumei-a, apanhei roupa, dobrei, passei e arrumei, limpei o pó da sala e quando olhei para o relógio já tinha passado a hora da cama, tomei banho e pensei, caramba, há tanto tempo que não fazia uma maratona destas as ultimas noites têm sido passadas no sofá de livro ou comando na mão li novamente o raspanete e percebi ''De prostradas passamos a cheias de energia'' Imprimi, está no frigorífico. Podes ralhar comigo outra vez hoje?

(um ano depois) do adeus ao futebol


Quando o miúdo me disse que queria deixar o futebol e ser escuteiro foi uma sensação estou em crer semelhante a promoção no trabalho ou prémio na lotaria. Nunca tive jeito nem gosto para Dolores, nunca fui de andar atrás em claque, juntar-me à seita-da-bifana e das buzinas em campo, nunca me identifiquei com aquilo e acho que que o miúdo se sentiu por isso Num dia do ano passado e depois de ter já falado com um chefe a quem manifestei a intenção do miúdo, fui inscrevê-lo, pediram que aguardasse e sem perceber muito bem arrumei-me num canto à espera, chegaram mais dois ou três de lenços verdes e deu-se o ultimato 'ora muito bem, há lugar para o miúdo e para a mãe porque o problema é que há miúdos demais e dirigentes de menos' musica para os meus ouvidos o miúdo olhou-me com cara de 'aceita, por favor' remeti a resposta para depois e na primeira reunião formou-se a comissão de pais que é basicamente meia dúzia de progenitores que se oferecem para colaborar no transporte de crianças e comida para acampamentos ou uma mãozinha no que for preciso. assim livrar-me-ia (pensava) da história de pertencer ao agrupamento como dirigente Fui expulsa por substituição, ou seja, destacada para aceitar o convite e daquele Setembro em diante tem sido a minha vida, sábados de acompanhamento, reuniões, acampamentos, descobertas neles, em mim, em nós e na natureza. Foi o acordar de um sonho adormecido há mais de duas dezenas de anos







do primeiro acampamento onde participei e na primeira reunião de pais, alguns dirigentes pediram-me para explicar o que senti malvados! olhei em redor à procura de um buraco mas nada, era eu e os dirigentes de um lado e do outro os pais a aguardar. Sabia o que sentira, mas como dizê-lo em palavras? Há coisas que não se explicam, saiu-me apenas um 'eu percebi que o escutismo é mais que um lenço ao peito e cantar à volta da fogueira, mas não consigo explicar para além da opinião pessoal de que todas as crianças deviam ter o direito de experimentar um acampamento escuteiro' dito isto e travadas as lágrimas de emoção, todos sorriram porque é exactamente isto. Talvez alguém consiga explicá-lo de outra forma, eu ainda não a encontrei mas tenho esperança
Diz quem por lá anda há muito quem por lá passou e quem, mesmo de longe está sempre perto que lá nascem grandes amizades e os irmãos que a vida junta. Passou um ano, a promessa do filho foi feita e de cada encontro trás uma mão cheia de novos ensinamentos, nós, amarrações, cortar e montar a madeira, construções, tendas, trilhos... Finalmente as férias, o período que os podia afastar, mas o grupo mantém-se unido, há um objectivo em comum, acampamento regional, o grande evento das suas vidas e pelo qual todos esperaram nos últimos meses. O escutismo é, para além da farda, o lenço, a fogueira e as tendas, uma filosofia obedece a três princípios fundamentais e simbolizados pelos três dedos da mão esquerda dever para com Deus, dever para com os outros e para consigo que é a mão do lado do coração e é com ela que se devem cumprimentar os amigos

Sou aquilo a que nos escuteiros se costuma designar por «paraquedista». Mas o que é isso de paraquedista - sim por que não se pratica para-quedismo no CNE, de forma sistemática, claro! «Paraquedistas» são aqueles que só entram nos escuteiros em adultos, não o tendo sido durante a infância e juventude, como é mais usual. No meu caso, ser escuteira sempre foi um desejo desde criança. Ouvia os relatos dos meus colegas de escola que eram escuteiros e fascinava-me aquele mundo de aventuras, mas embora tivesse repetidamente pedido aos meus pais para aderir ao movimento, nunca fui para os escuteiros (Margarida Ramos)

Eu não sei se ser escuteiro fará do meu filho melhor pessoa, mas sei que lá tem a oportunidade que dificilmente o futebol lhe dava, a oportunidade de conseguir o que os outros conseguem, de experimentar o que os outros experimentam, no futebol ou se é verdadeiramente bom ou de nada lhe vale calçar as chuteiras


Fui conhecer e apresentar ao meu filho e afilhado o paraíso que o receberá por uma semana no inicio do próximo mês ou em resumo fui apenas tratar de lhe aumentar a ansiedade aquele que será o grande evento dos seus treze anos de vida e para o qual já começou a azáfama. Aquele onde não vou estar, mas estarei um dia, de lenço ao pescoço após a caminhada que também eu terei e quero fazer, a formação para isto que afinal é apenas e como diria o Tony, a vida que eu escolhi. E como diria qualquer escuteiro 'Uma canhota'

turista no meu país



uma semana (de férias) depois

em tempos uma semana de cada vez de ferias era muito, mais tarde suficiente, desta vez ficava de boa vontade mais uma ou duas está sol que contrasta com a semana passada. fui à praia todos os dias e alternei entre casaco abotoado e toalha pelas costas. Ao sétimo dia de teimosia pé na areia quase se nota a marca do sol no meu corpo. Quase. 
Ordenei ao cérebro que se mantivesse em modo trabalho e me sugerisse sempre alternativas para ocupar os miúdos [filho, sobrinha e afilhado] a saber
um skate com luz que brilha no escuro, ideal para passeios à noite na confusão do paredão da praia, ordem para avançar que estará sempre à vista. não me chateei com o meu filho. não me chateei com ninguém. não me chateei. fui feliz. tive aulas de iniciação ao skate. Tratámos da bicicleta. Saltámos ao eixo e à corda
não limpei a casa. abusei de saladas com beterraba e grelhados. soltei um pássaro. terminei o escritório em casa. o pé do meu filho cresceu dois números. escrevi muito  não aqui, noutro lugar que verá em breve a luz do dia. comi gelados demais e bolas de berlim na praia. levantei cedo. deitei cedo. Quero mais férias
e bolas na praia

hoje todos os caminhos são numeros

hoje, exame de matemática, deixei o filho na escola com um beijo e um abraço disfarçado porque se aproximavam miúdos conhecidos e há manifestações de carinho proibidas na adolescência em frente ao portão da escola desejei-lhe boa sorte e segui o meu caminho. 
De novo ao portão espero ansiosa por avistar o alivio, antes escondido pela ansiedade.
Gostava de pedir aos senhores que ditam e mandam ordens para as escola e sem grandes explicações obrigam a seguir à risca que me explicassem a razão que os leva a contratar professores para estarem na escola a leccionar mais um mês e meio de aulas para quem durante todo o ano não quis aprender, gostava de saber o que os leva a obrigar o meu filho e muitos como ele com a única negativa a matemática a submeter-se a exame para o qual sabe que não precisa estudar dito pela escola porque em nada mudará o que fora ditado, gostava de entender o professor que lhes diz em tom de desabafo que isto é a maior palhaçada que inventaram eu sei que é, mas os miúdos não precisam de saber isso já gostava que me justificassem o exagero de livros que inventam agora livro + manual + livro de exercícios + caderno de actividades para quase todas as disciplinas, de compra obrigatória e alguns não sairão da estante, gostava que me explicassem a relação entre o preço dos livros e o salário mínimo praticado no nosso país, ou a ausência de ajudas como subsídios ou pensões de alimentos, gostava de saber a razão pela qual todos os anos tenho de comprar um cartão de acesso à entrada e saída na escola que me custa cinco euros e não é usado porque o porteiro finge que todas as crianças mesmo as que ali não estudam estão autorizadas a entrar e sair daquela escola, também gostava de saber o porquê de as famílias de outras etnias receberem dinheiro para manterem na escola os filhos a desencaminhar os outros estudar, enquanto outras há que pagam para lá poderem ter os miúdos e se desdobram para que se afastem daqueles que não querem lá andar mas a quem o estado insiste em obrigar, também gostava de perceber porque é que os meninos que usufruem de subsidio aqueles que supostamente têm menos possibilidades têm de se sujeitar a livros doados, riscados e rasgados sendo desde o inicio postos de parte pelos que podem e exibem livros novos impecavelmente novos, gostava de perceber como é que meninos que chegam à escola em carros de gama de luxo, roupas de marca e bens materiais têm direito a descontos subsidiados pelo estado quando aparentemente não há necessidade e gostava também que me fosse explicado porque é que os alunos subsidiados são obrigados a fazer as refeições na escola e com quem me cruzo todos os dias pelas ruas, de humburger ou cachorro quente numa mão e a lata de coca-cola na outra. E o porquê de as crianças serem obrigadas a andar na escola até terem completado o décimo segundo ano, com ou sem vocação, gostava que passassem por aqui esses senhores e que deixassem um comentário ou enviassem um e-mail onde explicassem também os critérios para admitir funcionários, prescindindo de informações sobre cadastro, não se tenta perceber-lhes vocação ou interesse, gostava que houvesse mais empenho, menos fretes, mais investigação, menos monos, mais disponibilidade, menos sacrifício e mais profissionalismo. Gostava acima de tudo que as escolas fossem mais humanas e mais empenhadas em formar crianças para serem Homens

* hoje é apenas o exame, o ano lectivo termina daqui a quinze dias com o resultado

terapia decorativa



os senhores que me disseram 'faz isto na tua cozinha' são os mesmos que agora estão a dizer 'é isto que a tua sala precisa' obrigadinha, depois de desesperar um inverno inteiro à procura de solução para a humidade daquela parede, depois de lavar manchas, pintar de novo e ouvir 'vai ficar tudo igual quando voltar a chover' aqui está a solução. Mais vale tarde que nunca, agora é ganhar coragem, escolher o material e deitar mãos à obra. Não é hoje que começa a obra nem este mês, talvez nem antes do inverno mas já está dado o tiro de partida para organizar as primeiras ideias


viciada, eu?

" há 14 meses viciada na minha filha. Há 24 horas que não mostro uma fotografia dela a ninguém. Estou numa fase tramada do vício mas tenho esperança de recuperar e vir a ser uma mãe normal. Se me perguntarem, nego. “Eu, filho-dependente?! Ora essa, tenho tudo sob controlo. Querem ver uma fotografia da Laura? Antes de ter filhos, toda a gente me avisou: “Pensa bem… é para toda a vida”. Felizmente, não sou a única adicta neste grupo de Filho-Dependentes Anónimos. Há muitos pais viciados nos filhos. Porque a parentalidade pode causar dependência. Mães e pais incluídos que, de um dia para o outro, quando dão por si, estão agarrados aos filhos. Basta uma dose e já não conseguem largar. Porque quem experimenta, quer mais. A melhor droga do mundo são os filhos. Posso dizê-lo porque não resisti e experimentei. Comigo a coisa passou-se assim: à minha volta andava tudo a dar nos filhos. Contavam maravilhas, diziam que era uma “curte”. Uma noite, arrisquei. Foi bom mas só senti o efeito nove meses mais tarde. Foi como recém-mamã que a dependência tomou conta de mim. Culpa também da Natureza, que me aliciou com muitas hormonas protetoras e cheias de prazer. De borla. Assim que dei à luz tive uma sensação de euforia, induzida pela oxitocina e pela dopamina - responsáveis por, fisicamente, despoletarem o meu primeiro nirvana maternal. QUE CENA. Com a Laura finalmente nos braços, inspirei profundamente. O seu cheirinho a bebé activou novamente o meu cérebro que, em jeito de “Parabéns, Mamã!” não perdeu tempo a presentear-me com mais uma dose da gulosa oxitocina. Seguiu-se uma reação química que instalou a ansiedade pelo bebé. E aqui começou esta relação de co-dependência. Que prevejo crónica. A mente maternal fez o resto. Não resisto a abraçá-la, dar-lhe colo, embalá-la. A controlar cada grama de crescimento. O vício entranha-se no pensamento mais que nos braços. E dou comigo mais alerta que nunca, os meus sentidos perfeitos: ouço um gemido a 100 metros de distância e nenhum grão de pó me escapa ao olhar. Cada sorriso que a minha filha me devolve é uma moca maravilhosa. Fico inebriada, são segundos intensos em que me sinto a melhor-mãe-do-mundo. Por isso, todos os dias consumo em busca de outro sorriso, um gatinhar, uma nova palavra. A miúda começou por dizer “cão”. Mas quando calhou dizer “Mamã” fiquei tão compensada que tive uma ligeira quebra de tensão. E fui beber um copo de água. Nessa noite, quando me deitei, compreendi a famosa frase de que “Ser mãe é padecer no paraíso”; fez todo o sentido por alguns segundos. Oh, it was just a perfect day! Claro que a maioria dos pais tem um grau de dependência dos filhos moderado, ou seja, socialmente aceite. Hei-de ser assim, mas não agora. Quero curtir um bocadinho mais; só mais uma vez; a última, talvez. Porque não quero ser como aqueles pais que não se controlam e vivem em função do que os meninos pedem. Comportam-se como autênticos junkies. Arranjam forma de falar dos filhos a propósito de qualquer assunto. Têm a sua fotografia na carteira, desktop do computador, ecrã do telemóvel, colada no frigorífico. E pendurada na parede, por cima da cama, a substituir o Jesus na cruz. Ajoelham e rezam ao menino, mas neste caso, ao deles. Porque em casa de pais viciados, não basta ter a criança ao vivo: tem de ser omnipresente. Não acredito em pessoas que não têm vícios, aliás, não conheço nenhuma. Todos temos um víciozinho de estimação. Penso que encontrei o meu. A minha filha é a minha heroína. E é só o que quero a correr-me nas veias "
(Eu - em recuperação) na prática do desapego
A crónica na integra aqui

matemática em contagem decrescente

Hoje é a ultima aula de matemática antes do exame. De hoje a segunda-feira, como nas eleições há o período de reflexão mas ao contrário últimos exercícios, ultimas revisões, ultimas duvidas. O filho está farto disto eu entendo a maioria dos colegas já foram e vieram ao Algarve que é para onde toda a gente daqui vai nas férias, livra que parece difícil alargar horizontes, nada contra esta região, mas Portugal é mais que Algarve no verão Dizia eu que o filho está cansado e farto disto tudo eu também mas como digo, são os frutos da sua colheita, talvez para o ano se empenhe na cultura, lhe sirva de lição
Hoje está comigo no trabalho, contrariado porque o avô era uma companhia bem melhor, já mo disse, e repetiu, eu já mandei recado para que diga à sua adolescência que se acalme e tenha consciência do porquê de estar aqui. Calou-se e debruçou-se de novo sobre os exercícios. Faz-me pena tê-lo aqui fechado, mas ao contrário de mim, foi ele quem fez por aqui estar 

dias completos

 
sair de casa ao mesmo tempo . chegar ao trabalho e receber uma mensagem
mãe, cheguei, bom trabalho, eu também vou começar agora (com um mergulha na piscina)